SUMÁRIO DA AULA
Nesta aula, os alunos compreendem que os deepfakes não são apenas um desafio técnico, mas também social e ético.
Através de uma apresentação interativa, observam exemplos de deepfakes e refletem sobre tipos de manipulação, pistas visuais, marcas de água, etiquetas de IA, fonte, contexto e intenção.
Depois jogam Fakemetric, um jogo colaborativo em que descrevem vídeos fictícios e avaliam o nível de cautela necessário perante a possibilidade de serem deepfakes.
MATERIAIS
• Tablets ou computador portátil para o professor;
• Documento descarregável: Dicas para detetar deepfakes;
• Documento descarregável: Elementos do jogo;
• Documento descarregável: Material de apoio à apresentação;
• Apresentação Genially;
• Tesouras;
• Quadro digital colaborativo, opcional.
LIGAÇÕES E MATERIAIS EXTERNOS
• Quadro digital: https://classroomscreen.com
• Apresentação Genially: https://view.genially.com/6a98445335abeec129f430d0
PREPARAÇÃO
• Preparar o material necessário para a atividade;
• Imprimir o documento descarregável com as dicas para detetar deepfakes e os elementos do jogo, uma cópia por grupo;
• Imprimir o documento descarregável com o material de apoio à apresentação, uma cópia para cada professor;
• Ter a apresentação Genially aberta num dispositivo que possa ser projetado;
• Explorar previamente a apresentação Genially.
PLANO DA AULA
1. Projetar a apresentação interativa Genially;
2. Discutir o que os alunos sabem sobre deepfakes;
3. Explorar tipos de deepfakes: vídeo, imagem e voz/áudio;
4. Debater se os deepfakes podem afetar pessoas comuns, colegas ou grupos de amigos;
5. Identificar pistas visuais e sinais de manipulação;
6. Explicar marcas de água e etiquetas de IA;
7. Discutir por que razão as pistas técnicas são úteis, mas não suficientes;
8. Apresentar formas de avaliar contexto, fonte, intenção e fiabilidade;
9. Jogar Fakemetric em grupos;
10. Refletir sobre os perigos da partilha de deepfakes;
11. Assumir o compromisso de não amplificar conteúdos prejudiciais.
Orientações complementares
A seguir partilhamos algumas orientações e sugestões de diálogo que pode ter com os alunos em cada etapa desta aula:
Introdução
Comece projetando a apresentação interativa Genially. Se não houver projetor, organize a turma em grupos e atribua um computador a cada grupo.
Em cada pergunta, faça uma pausa para ouvir opiniões e pedir respostas voluntárias.
Explique que os deepfakes estão cada vez mais avançados e que, para avaliar se um vídeo é verdadeiro, não basta procurar falhas técnicas. É essencial compreender o contexto e o que está por trás da mensagem.
A apresentação aborda temas como:
Primeira parte — O que são deepfakes?
Explique:
“Quando falamos de deepfakes, estamos a referir-nos a ficheiros de vídeo, imagem ou áudio gerados ou manipulados com recurso a inteligência artificial, para mostrar pessoas a dizer ou a fazer coisas que nunca aconteceram.”
Esclareça que não são apenas retoques ou filtros engraçados. São criações sintéticas que usam algoritmos avançados para imitar a aparência física ou a voz de uma pessoa real.
Apresente três tipos principais:
Reforce que estes tipos podem misturar-se, por exemplo quando um vídeo falso também usa voz clonada.
Segunda parte — Pistas de autenticidade e limites da deteção técnica
Explique que, por vezes, é possível notar sinais técnicos de manipulação.
Exemplos de pistas:
Olhar e olhos
Pestanejar rígido ou quase inexistente; reflexos estranhos nas pupilas; olhar artificial.
Boca e sincronização
Movimento dos lábios que não corresponde ao som; dentes desfocados; língua pouco natural.
Contornos e texturas
Rosto desfocado junto ao cabelo ou pescoço; vibração nos contornos; pele demasiado perfeita.
Física e ambiente
Sombras que não fazem sentido; óculos com reflexos estranhos; acessórios que se deformam.
Depois, explique o limite destas pistas:
“Estes erros estão a desaparecer à medida que a tecnologia melhora. Encontrar uma falha pode ser um indício, mas não encontrar falhas não garante que o vídeo seja real.”
Terceira parte — Marcas de água, etiquetas de IA e contexto
Explique que marcas de água e etiquetas de IA são ferramentas de transparência usadas por plataformas e criadores para indicar que um conteúdo é sintético ou gerado por IA.
Reforce que estes sinais ajudam, mas não são perfeitos:
Depois, oriente os alunos para uma análise de contexto:
“Quando as pistas visuais falham, podemos olhar para a fonte, a intenção e a coerência da mensagem.”
Perguntas úteis:
Quarta parte — Jogo Fakemetric
Organize grupos de 4 a 6 alunos.
Distribua os documentos descarregáveis com as dicas para detetar deepfakes e os elementos do jogo.
Explique que as dicas estão organizadas em três categorias:
Coisas que noto logo
Sinais externos ao vídeo: quem publicou, como o conteúdo é apresentado, se existe data, local, fonte ou etiqueta de IA.
Coisas de que suspeito
Detalhes no vídeo: voz, rosto, boca, corpo, luz, contornos, comportamento invulgar ou sensação de que algo não bate certo.
Coisas que preciso de confirmar
Investigação ativa: procurar a fonte original, fazer pesquisa inversa de imagem, verificar outras fontes e observar o histórico da conta.
Depois, peça aos grupos que recortem:
As cartas têm valores entre 0% e 100%, correspondentes aos valores do tabuleiro.
Regras do jogo
O Fakemetric é colaborativo.
Exemplo simples
Se um aluno tirar 100%, deve inventar um vídeo com probabilidade muito elevada de ser falso.
Exemplo:
“Um futebolista muito famoso aparece vestido de unicórnio a cantar uma música popular portuguesa. A boca quase não se mexe e os olhos não piscam. A conta que publicou o vídeo chama-se Só-Fakes-IA.”
Exemplo mais complexo
Se um aluno tirar 40%, pode inventar uma situação mais incerta:
“É um vídeo de uma cantora muito conhecida. Está a ser entrevistada na rua e diz que, dentro de uma hora, vai dar um concerto surpresa na praça principal de Aveiro, gratuito. Parece que vários sites já publicaram a notícia, mas não há confirmação nas redes sociais oficiais da cantora.”
O grupo pode decidir colocar a seta nos 50%, ganhando 1 ponto por estar num valor adjacente.
Conclusão
Quando faltar pouco tempo, peça que parem o jogo e partilhem as pontuações com os grupos próximos.
Explique que o jogo mostrou como pode ser difícil distinguir com certeza se um vídeo é falso ou verdadeiro.
Depois, promova uma reflexão:
“Que perigos pode ter a partilha de um deepfake?”
“Todos os deepfakes são igualmente prejudiciais?”
“Há deepfakes mais inofensivos e outros mais perigosos?”
Reforce a ideia-chave:
“Independentemente de um vídeo ser real ou sintético, se puder prejudicar a dignidade, a segurança ou a credibilidade de alguém, não o vamos amplificar.”
Avaliação
Observe se os alunos:
Extensão ou diferenciação
Se houver mais tempo, pode acrescentar mais exemplos de vídeos deepfake para projetar na apresentação inicial ou jogar mais rondas do Fakemetric.
Menos tempo?
Se houver menos tempo, jogue menos rondas do Fakemetric ou forme grupos mais pequenos.