SUMÁRIO DA AULA
Nesta aula, os alunos abordam a exposição acidental a conteúdos inadequados para a idade de forma segura, geral e não explícita.
Começam por refletir sobre situações em que algo estranho, desconfortável ou inesperado pode aparecer durante a navegação, jogos ou vídeos online. Depois aprendem a rotina de segurança Fechar–Bloquear–Contar.
Em seguida, criam cartas de situação seguras e jogam um jogo cooperativo com cartas de proteção. A aula termina com a identificação de adultos de confiança e com o reforço de que pedir ajuda não é confessar um erro, mas ativar uma rede de apoio.
MATERIAIS
• Documento descarregável: Cartas de Situação em branco;
• Documento descarregável: Cartas de Proteção;
• Canetas;
• Tesoura;
• Cola;
• Quadro digital (opcional).
LIGAÇÕES E MATERIAIS EXTERNOS
Quadro digital: https://classroomscreen.com
PREPARAÇÃO
• Fazer o passo-a-passo para os alunos;
• Preparar os materiais necessários para a atividade;
• Imprimir os documentos com as Cartas de Situação em branco;
• Imprimir as Cartas de Proteção;
• Organizar a turma em grupos de trabalho;
• Garantir que os alunos têm canetas, papel e tesouras;
• Preparar previamente o enquadramento de segurança emocional da aula.
PLANO DA AULA
1. Introdução ao tema e validação de emoções;
2. Apresentação da expressão “exposição acidental a conteúdos inadequados para a idade”;
3. Explicação da rotina Fechar–Bloquear–Contar;
4. Criação de cartas de situação personalizadas;
5. Preparação e explicação das cartas de proteção;
6. Jogo cooperativo;
7. Criação de novas cartas de proteção adaptadas a uma situação;
8. Identificação de adultos de confiança;
9. Conclusão.
Orientações complementares
A seguir partilhamos algumas orientações e sugestões de diálogo que pode ter com os alunos em cada etapa desta aula:
Introdução
Comece por colocar uma pergunta aberta:
“Às vezes, quando estão a jogar, a ver vídeos ou a pesquisar informação online, as crianças podem ver algo que as deixa desconfortáveis, confusas ou que lhes parece estranho. Já vos aconteceu? Podem não responder, ou responder apenas de forma muito geral.”
Escreva no quadro algumas palavras que os alunos possam usar para descrever emoções, por exemplo:
“surpreendido/a”, “com nojo”, “assustado/a”, “confuso/a”, “curioso/a”.
Reforce que ninguém tem de contar experiências pessoais.
Explique:
“Hoje não vamos descrever conteúdos nem falar de imagens específicas. Vamos falar sobre o que fazer quando algo aparece por acidente e nos deixa desconfortáveis.”
Apresente a expressão:
Exposição acidental a conteúdos inadequados para a idade.
Explique que a palavra “acidental” é importante, porque mostra que a criança não procurou necessariamente aquilo e que a culpa não é dela.
Pode dizer:
“Tal como não entraríamos numa sessão de cinema para adultos sem autorização, às vezes aparecem ‘cenas’ na internet que não são para a nossa idade. O mais importante não é o que apareceu. O mais importante é o que fazemos a seguir.”
Nota de segurança emocional
Antes de avançar, esclareça três regras da aula:
Privacidade: ninguém é obrigado a partilhar experiências pessoais. A turma vai trabalhar com exemplos gerais e hipotéticos.
Direito a passar: qualquer aluno pode optar por não responder a uma pergunta ou por não participar numa parte específica, se se sentir desconfortável.
Gestão do desconforto: se algum aluno se sentir sobrecarregado, pode pedir uma pausa, por exemplo através de um “cartão de pausa”, se a turma usar esse recurso.
Primeira parte — Rotina Fechar–Bloquear–Contar
Explique que os alunos vão aprender uma sequência de segurança com três passos:
Fechar
É a resposta imediata.
Significa sair da aplicação, fechar o separador, voltar ao ecrã inicial, desligar o ecrã ou parar de ver aquilo que apareceu.
Reforce:
“Não é para clicar para ver mais. Não é para partilhar. Não é para tirar capturas de ecrã.”
Bloquear
Sempre que a plataforma permitir, a fonte deve ser bloqueada ou denunciada.
Pode ser um utilizador, um anúncio, uma publicação, um site, um vídeo, uma mensagem ou um grupo.
Explique que nem sempre é possível bloquear tudo sozinho, mas vale a pena procurar as opções disponíveis.
Contar
É o passo essencial.
O aluno deve contar a um adulto de confiança o que aconteceu.
Reforce:
“Contar não é fazer queixa. Contar não é confessar que fizeram algo errado. Contar é pedir ajuda para não ficarem sozinhos com a preocupação.”
Segunda parte — Criação de cartas de situação
Organize grupos de trabalho e entregue material de escrita e duas Cartas de Situação em branco a cada aluno.
Explique:
“O jogo que vamos jogar ainda não está completo. Faltam cartas de situação. Cada um vai criar duas cartas com situações em que alguém pode encontrar, por acidente, algo inadequado para a idade.”
Regra de segurança
Os alunos não devem descrever o conteúdo em si.
Devem apenas descrever a forma como apareceu.
Podem escrever:
• Um pop-up aparece;
• Um anúncio abre de repente;
• Uma ligação leva a uma página inesperada;
• Um vídeo começa automaticamente;
• Alguém envia uma ligação estranha.
Não devem escrever:
• Palavras sexuais;
• Nomes de partes do corpo;
• Nomes de sites específicos;
• Descrições detalhadas de imagens;
• Conteúdos gráficos ou explícitos.
Se uma carta ficar demasiado específica, ajude o aluno a reformular de forma geral e segura.
Formato da carta
Peça que todas as cartas sigam esta estrutura:
“Estás a fazer [X] online e [Y] acontece de repente.”
Exemplos:
• “Estás a ver um vídeo e aparece um pop-up estranho.”
• “Estás a jogar e aparece um anúncio que não percebes.”
• “Estás a pesquisar informação e uma ligação leva-te para um site inesperado.”
Depois de escritas as cartas, recolha-as, baralhe-as e distribua-as de forma equilibrada pelos grupos, viradas para baixo.
Terceira parte — Jogo cooperativo
Entregue a cada grupo as Cartas de Proteção.
Explique que existem três tipos de carta:
• Fechar;
• Bloquear;
• Contar.
Cada carta inclui um exemplo relacionado com essa ação. Os exemplos devem ser lidos durante o jogo para ajudar a memorizar a rotina.
O jogo é cooperativo: todo o grupo ganha ou perde em conjunto.
O objetivo é resolver todas as cartas de situação.
Depois de uma ou duas rondas, acrescente uma regra de desafio:
“A partir de agora, os jogadores não podem falar sobre as cartas que têm na mão.”
Circule pela sala, ajude os grupos e esclareça dúvidas.
Conclusão
Depois do jogo, peça a cada grupo que escolha uma carta de situação da sua mesa.
Explique que terão de criar um conjunto de três cartas de proteção adaptadas especificamente a essa situação:
• Uma carta Fechar;
• Uma carta Bloquear;
• Uma carta Contar.
No final, recolha as restantes cartas de situação e guarde-as para a aula seguinte.
Termine reforçando:
“A rotina Fechar–Bloquear–Contar só funciona verdadeiramente se soubermos a quem contar.”
Peça que cada aluno pense em 2 ou 3 adultos de confiança.
Explique que um adulto de confiança é alguém que:
• Se mantém calmo;
• Ouve sem julgar;
• Ajuda;
• Agradece por lhe contarem o que aconteceu.
Dê exemplos possíveis:
• Pai, mãe ou cuidador;
• Tio/a ou irmão/irmã mais velho/a;
• Professor/a;
• Psicólogo/a escolar;
• Treinador/a;
• Mentor/a;
• Outro adulto seguro do contexto do aluno.
Nota de salvaguarda
Se um aluno partilhar algo que indique que pode estar em risco, que foi contactado, pressionado ou manipulado online, siga o procedimento de proteção e salvaguarda da escola e informe o responsável designado.
Avaliação
Observe se os alunos:
• Participam nas discussões de forma segura e respeitosa;
• Compreendem o que significa exposição acidental;
• Criam cartas de situação sem descrever conteúdo explícito;
• Compreendem e aplicam a rotina Fechar–Bloquear–Contar;
• Participam no jogo cooperativo;
• Criam três cartas de proteção relacionadas com uma situação concreta;
• Identificam adultos de confiança.
Extensão ou diferenciação
Se houver mais tempo, pode criar um mural, no Padlet ou num cartaz, com as cartas de situação e as cartas de proteção personalizadas.
Também pode jogar mais uma ronda, acrescentando ao baralho as cartas de proteção criadas pelos grupos.
Menos tempo?
Se houver menos tempo, peça a cada aluno que crie apenas uma carta de situação. Também pode distribuir apenas metade das cartas por jogo e usar a outra metade numa segunda ronda.