Aula 1

SUMÁRIO DA AULA

Nesta aula, os alunos refletem sobre o tempo que dedicam a atividades digitais e identificam as que mais desviam a sua atenção.

Depois, utilizam cartões de formas de diferentes tamanhos para representar o tempo que sentem dedicar a essas atividades. Com o apoio de um Diagrama do Tempo, visualizam como o digital pode ocupar espaço de necessidades e atividades não digitais importantes.

A aula termina com uma reflexão em grupo e com a escrita de um compromisso pessoal: proteger uma atividade não digital e experimentar uma pequena mudança concreta durante a semana.

MATERIAIS

• Documento descarregável: Cartões de formas;
• Documento descarregável: Diagrama do Tempo;
• Canetas;
• Tesoura;
• Cola;
• Quadro digital (opcional).

PREPARAÇÃO

 Fazer o passo-a-passo para os alunos;
 Preparar os materiais necessários para a atividade;
• Imprimir os documentos com os cartões de formas;
• Imprimir o Diagrama do Tempo;
• Organizar a sala para trabalho em grupos.

PLANO DA AULA

1. Introdução: pergunta inicial sobre a sensação de que o tempo “passa a voar” quando se usa uma aplicação ou jogo;
2. Reflexão em grupo: identificação de atividades digitais que desviam a atenção;
3. Atividade individual com cartões de formas: registar atividades digitais em cartões proporcionais ao tempo sentido;
4. Diagrama do Tempo: preencher atividades não digitais e colocar os cartões digitais sobre o diagrama;
5. Partilha em grupo: justificar decisões e refletir sobre as trocas de tempo;
6. Conclusão: compromisso pessoal para proteger uma atividade não digital e experimentar uma pequena mudança concreta.

Orientações complementares

A seguir partilhamos algumas orientações e sugestões de diálogo que pode ter com os alunos em cada etapa desta aula:

Introdução

Comece por colocar uma pergunta aos alunos:

  • “Já alguma vez sentiram que o tempo passa a voar quando estão numa aplicação ou a jogar?”

O objetivo é criar uma conversa inicial sobre experiências comuns. Convide os alunos a pensar se já passaram mais tempo do que tinham planeado numa aplicação, jogo, plataforma de vídeos ou rede social.

Depois, reforce que a aula não pretende colocar o lazer digital contra o tempo offline. O foco é a gestão do próprio tempo e a forma como algumas atividades digitais podem desviar a atenção de outras atividades também importantes.

Pode usar perguntas como:

  • “Já vos aconteceu quererem jogar só um pouco e, quando deram conta, tinha passado muito mais tempo?”
  • “Já sentiram que ficaram sem atenção para outra coisa de que também gostam?”
  • “Que atividades digitais vos fazem perder mais facilmente a noção do tempo?”

Evite julgamentos ou comentários que façam os alunos sentir vergonha. A partilha deve ser voluntária.

Primeira parte — Reflexão: o que desvia a nossa atenção?

Organize a turma em grupos de trabalho e explique que cada aluno irá identificar atividades digitais que sente que o mantêm distraído durante mais tempo do que pretendia.

Apresente exemplos de distrações digitais frequentes:

  • Redes sociais e aplicações de mensagens;
  • Plataformas de vídeos curtos ou serviços de streaming com reprodução automática;
  • Videojogos individuais ou online;
  • Jogos e aplicações com níveis, recompensas ou streaks diárias;
  • Navegar na internet sem um objetivo específico;
  • Ver conteúdos recomendados automaticamente.

Os alunos podem conversar em grupo e partilhar perspetivas, mas cada um deve identificar as suas próprias atividades digitais, porque irá usá-las individualmente na etapa seguinte.

Peça que cada aluno identifique pelo menos duas atividades digitais.

Segunda parte — Diagrama do Tempo

Distribua a folha com cartões de formas a cada aluno.

Peça aos alunos que recortem os cartões, os agrupem por forma e os coloquem no centro da mesa, ao alcance do grupo.

Explique que os cartões têm tamanhos diferentes. Cada aluno deve escrever uma atividade digital num cartão cujo tamanho represente, de forma aproximada, o tempo que sente dedicar a essa atividade.

A forma do cartão não é importante; o tamanho é que representa a quantidade de tempo.

Exemplos:

  • Se joga videojogos online, mas sente que não passa muito tempo nisso, pode escolher um cartão pequeno.
  • Se sente que passa bastante tempo em plataformas de vídeos curtos, pode escolher um cartão grande.

No final, cada aluno deve ter pelo menos dois cartões de formas com atividades digitais escritas.

De seguida, entregue o Diagrama do Tempo. Explique que o diagrama representa atividades não digitais e necessidades do dia a dia. Algumas já estarão indicadas; outras podem ser preenchidas com hobbies não digitais favoritos, como:

  • Um desporto que praticam;
  • Uma atividade que fazem com amigos;
  • Ler;
  • Desenhar.

Peça aos alunos que escrevam essas atividades nas formas em branco.

Depois, explique que vão representar uma troca de tempo: os cartões digitais serão colocados sobre o diagrama, mostrando como o tempo dedicado ao digital pode ocupar espaço de outras atividades.

Reforce as duas regras:

  • Tentar não tocar nos limites exteriores do diagrama, porque isso significaria ultrapassar o tempo limitado disponível no dia a dia;
  • Tentar não sobrepor cartões nem fazê-los tocar uns nos outros, porque, mesmo quando fazemos várias coisas ao mesmo tempo, a nossa atenção é limitada.

Se algum aluno referir que certas atividades digitais podem acontecer ao mesmo tempo que atividades de qualidade, por exemplo jogar online com amigos, valide a observação. Explique que a tecnologia pode, por vezes, combinar-se com experiências positivas, desde que exista consciência sobre essa integração.

Terceira parte — Reflexão em grupo

Depois de colocarem os cartões no diagrama, peça a cada aluno que explique e justifique as suas decisões ao grupo.

Circule pela sala e apoie a conversa com perguntas como:

  • “Que atividades importantes foram as primeiras a perder espaço por causa das atividades digitais?”
  • “Que atividade gostarias mais de proteger durante a próxima semana?”
  • “Que características das aplicações ou jogos te fizeram querer continuar?”

Reforce que o objetivo não é demonizar a tecnologia. O objetivo é perceber que as atividades digitais implicam muitas vezes uma troca de tempo com outras experiências importantes.

Conclusão

Conduza uma reflexão coletiva sobre o trabalho realizado.

Peça a cada aluno que escreva um compromisso pessoal com três elementos:

  • Um adulto de confiança que possa ajudar, caso a mudança pareça difícil.
  • Uma atividade não digital que não quer ceder nem abandonar;
  • Uma pequena mudança concreta que vai tentar pôr em prática durante a semana para proteger o seu tempo;

Nota de salvaguarda

Evite rotular os alunos como “viciados”. Não recolha dados de utilização individual. Se uma criança relatar mal-estar, perda de sono ou conflitos ligados ao uso de dispositivos, siga os procedimentos de salvaguarda e bem-estar da escola e garanta uma conversa individual em privado.

Avaliação
Para verificar se os alunos atingiram os objetivos da atividade, observe se:

  • Participam nas discussões e refletem sobre as trocas de tempo associadas às atividades digitais;
  • Identificam de forma crítica as atividades digitais que mais desviam a sua atenção;
  • Registam essas atividades nos cartões de formas;
  • Demonstram reflexão ao colocar os cartões no Diagrama do Tempo;
  • Compreendem que o tempo disponível no dia a dia é limitado;
  • Conseguem formular um compromisso pessoal concreto.

Também deve considerar se os alunos gostaram da atividade e se o tempo e os materiais disponibilizados foram adequados.

Extensão ou diferenciação

Se houver mais tempo disponível, ou se os alunos avançarem mais rapidamente do que previsto, pode prolongar a reflexão em grupo através de um inquérito anónimo sobre o número de vezes que determinadas atividades digitais são mencionadas, para identificar quais são as mais frequentes na turma.

Menos tempo?

Se houver menos tempo disponível, os cartões podem ser colocados sem serem colados. Também pode pedir a apenas um ou dois voluntários que justifiquem os seus diagramas perante a turma, em vez de todos o fazerem autonomamente nos grupos.

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