Aula 1

SUMÁRIO DA AULA

Nesta aula, os alunos compreendem que o ciberbullying raramente envolve apenas quem agride e quem é visado.

Através de um questionário anónimo no Mentimeter, a turma reflete sobre hábitos digitais, velocidade de circulação de conteúdos, capturas de ecrã, silêncio, apoio entre pares e confiança nos adultos.

Depois, os alunos analisam incidentes fictícios de ciberbullying, identificando os diferentes papéis envolvidos e refletindo sobre como cada pessoa poderia ter contribuído para travar ou reduzir o dano.

MATERIAIS

• Tablets, computadores portáteis ou telemóveis;
• Documento descarregável: Incidentes de Ciberbullying;
• Documento descarregável: Cartões de Papéis;
• Documento descarregável: Guia de apoio para o professor;
• Canetas;
• Tesouras;
• Quadro digital interativo, opcional.

LIGAÇÕES E MATERIAIS EXTERNOS

Quadro digital: https://classroomscreen.com

 Mentimeter — questionário:
https://www.mentimeter.com/app/presentation/almgxpu51uk7x1m7musgmpq44i6kebto/present?question=6iydrbnk3ioy

PREPARAÇÃO

 Preparar o material necessário para a atividade;
• Imprimir o documento descarregável com os incidentes de ciberbullying, uma cópia por cada dois grupos;
• Imprimir o documento descarregável com os cartões de papéis, uma cópia por grupo;
• Imprimir o documento descarregável com o guia de apoio para o professor, uma cópia por professor;
• Criar a conta de Mentimeter do professor e clonar o questionário que será usado na atividade;
• Ter aberta, em todos os computadores que serão usados, a página de acesso ao Mentimeter;
• Organizar a turma em grupos de trabalho.

PLANO DA AULA

1. Introdução ao tema do ciberbullying;
2. Apresentação da expressão “exposição acidental a conteúdos inadequados para a idade”;
3. Explicação da rotina Fechar–Bloquear–Contar;
4. Criação de cartas de situação personalizadas;
5. Preparação e explicação das cartas de proteção;
6. Jogo cooperativo;
7. Criação de novas cartas de proteção adaptadas a uma situação;
8. Identificação de adultos de confiança;
9. Conclusão.

Orientações complementares

A seguir partilhamos algumas orientações e sugestões de diálogo que pode ter com os alunos em cada etapa desta aula:

Nota de segurança antes da atividade

Antes de começar, relembre os alunos:

  • Não devem referir nomes reais de pessoas, escolas ou contas;
  • A partilha de experiências pessoais é opcional;
  • Se algum tema causar desconforto ou estiver relacionado com uma situação real, podem falar em privado com o professor, o diretor de turma ou outro adulto de confiança da escola;
  • Ninguém fica em sarilhos por pedir ajuda.

Introdução e questionário anónimo

Comece a sessão dizendo:

“Hoje vamos refletir sobre um tema muito importante: o ciberbullying.”

Explique que a primeira atividade será um questionário anónimo. O objetivo é perceber a visão global da turma, sem identificar ninguém.

Distribua os alunos pelo maior número possível de computadores ou dispositivos. Se não houver dispositivos suficientes, organize pequenos grupos no mesmo equipamento e oriente as respostas para uma perceção do grupo, e não para experiências pessoais.

Explique que o Mentimeter permite responder anonimamente e ver os resultados de forma dinâmica.

Peça aos alunos que entrem em menti.com ou no separador deixado aberto durante a preparação. Partilhe o código de 8 dígitos do questionário.

Sempre que surgir uma pergunta, dê tempo suficiente para responderem e analise os resultados com a turma, preservando o anonimato. Reforce que responder é opcional.

Questões do Mentimeter

O questionário inclui perguntas como:

  1. Numa palavra ou frase muito curta: o que significa ciberbullying para ti hoje?
  2. Com que rapidez achas que um sticker ou uma fotografia embaraçosa se espalha pelos grupos?
  3. Quando alguém é criticado de forma dura num grupo da turma, sem estar presente, o que costuma acontecer?
  4. Sem dar nomes, qual foi a coisa mais eficaz que já viste alguém fazer para travar mau ambiente online?
  5. Com que frequência são usadas capturas de ecrã de conversas privadas para comentar noutros grupos?
  6. Quanta confiança existe em que um adulto de confiança possa ajudar a resolver uma confusão digital sem piorar a situação?
  7. Se uma publicação humilhante for apagada ao fim de 10 minutos, que marca deixa no grupo?
  8. Se uma pessoa estiver a ser atacada nas redes sociais, qual é a forma de apoio mais comum?
  9. Que fator dá hoje mais poder a alguém para causar dano na Internet?
  10. O que costuma acontecer quando alguém tenta travar uma gozação online dizendo: “isto já não tem graça”?

Use os resultados para introduzir os conceitos-chave que serão trabalhados de seguida.

Primeira parte — O ciberbullying como processo social

Explique aos alunos:

“O ciberbullying é muitas vezes entendido como uma única mensagem ou publicação cruel enviada por uma pessoa a outra. Mas, na realidade, costuma ser um processo social que cresce através das ações, reações e silêncios das pessoas à volta.”

Reforce:

  • Um comentário prejudicial pode começar com uma só pessoa;
  • O dano pode aumentar quando outras pessoas riem, partilham, fazem capturas de ecrã, reenviam, comentam ou veem repetidamente;
  • O silêncio também pode permitir que a situação continue;
  • O ambiente digital torna tudo mais forte porque o conteúdo pode circular rapidamente e transformar uma situação privada numa humilhação pública.

Explique que nem todos têm a mesma responsabilidade, mas muitas pessoas podem influenciar se o dano aumenta ou se é interrompido.

Segunda parte — Papéis no ecossistema do ciberbullying

Apresente os principais papéis:

Alvo
É a pessoa que está a ser prejudicada, humilhada, excluída ou pressionada através de comportamentos online.
Pode ser atacada diretamente, alvo de comentários, de falsa identidade ou de partilha de conteúdos prejudiciais sobre si.

Amplificador
Ajuda o dano a espalhar-se, mesmo que não o tenha iniciado.
Pode colocar gosto, partilhar, reenviar, fazer capturas de ecrã, comentar, rir ou incentivar outros a participar.

Testemunha silenciosa
Vê o que está a acontecer, mas não se envolve.
Pode sentir desconforto, dúvida ou medo. Ainda assim, o seu silêncio pode permitir que o dano continue.

Defensor
Age para apoiar a pessoa que está a ser prejudicada.
Pode verificar como ela está, recusar partilhar o conteúdo, denunciá-lo ou ajudá-la a procurar apoio junto de um adulto de confiança.

Confrontador
Questiona ou contraria ativamente o comportamento prejudicial.
Pode chamar a atenção para o que está a acontecer, interromper a dinâmica do grupo ou deixar claro que aquilo não é aceitável nem tem graça.

Adulto de confiança
Pessoa responsável por ajudar a manter o jovem seguro e apoiado.
Pode ser um professor, familiar, encarregado de educação ou outro adulto da escola que saiba responder, proteger e definir os próximos passos.

Terceira parte — Expansão da audiência

Explique que o ciberbullying pode agravar-se porque os conteúdos digitais passam rapidamente de uma audiência para outra.

Isto pode acontecer através de:

  • Visualizações repetidas.
  • Capturas de ecrã;
  • Reencaminhamentos;
  • Republicações;
  • Contas secundárias;
  • Grupos de conversa;
  • Comentários;
  • Emojis;

Reforce:

“Mesmo ações pequenas ou aparentemente passivas podem contribuir para aumentar o dano.”

Quarta parte — Análise de incidentes de ciberbullying

Divida a turma em grupos.

Entregue a cada grupo:

  • Um incidente de ciberbullying;
  • Cartões de papéis;
  • Material de escrita.

Peça aos alunos que recortem os cartões de papéis.

Explique a tarefa:

“Leiam atentamente o incidente e os cartões. Depois, identifiquem que personagem corresponde a cada papel e escrevam o respetivo nome no cartão.”

Circule pela sala, acompanhe os grupos e corrija quando necessário, usando o guia de apoio.

Depois de todos identificarem os papéis, peça que escrevam na parte inferior de cada cartão:

“O que esta pessoa poderia ter feito melhor?

Incidentes trabalhados

Incidente 1 — A conta de confissões

Uma conta anónima no Instagram chamada @Segredos_do_Rodrigo começa a publicar rumores falsos sobre a vida privada do Rodrigo.

O Tiago partilha as publicações para ganhar seguidores. A Leonor vê as publicações repetidamente, mas não sabe como reagir. A Mafalda confronta a conta publicamente. O João apoia o Rodrigo e ajuda-a o recolher provas. O professor António, psicólogo da escola, intervém, apoia o Rodrigo e a família, e ajuda a eliminar a conta.

Incidente 2 — O grupo da equipa de futebol

Depois de o Rodrigo cometer um erro num jogo, o Samuel publica no TikTok uma mensagem de voz a imitá-lo em tom de gozo. A Beatriz reencaminha o vídeo para outros grupos. O Gonçalo vê o sofrimento do Rodrigo, mas mantém-se em silêncio por medo. O Miguel confronta o grupo. A Mariana apoia o Rodrigo e ajuda-o a configurar a privacidade. A professora Ana intervém depois de receber uma denúncia.

Exemplos de ações que poderiam melhorar a situação

Alvo

Pode bloquear, guardar provas, pedir ajuda e evitar contra-atacar.

Amplificador

Pode apagar o que partilhou, retirar apoio público ao ataque e pedir aos outros que parem de seguir ou divulgar o conteúdo.

Testemunha silenciosa

Pode denunciar anonimamente, enviar apoio privado à pessoa visada e deixar de dar audiência ao conteúdo.

Defensor

Pode ajudar a guardar provas, validar emocionalmente a pessoa visada e ajudá-la a procurar apoio.

Confrontador

Pode definir limites em público e deixar claro que a gozação não é aceitável nem tem graça.

Adulto de confiança

Pode escutar com calma, evitar retirar dispositivos como primeira reação e definir próximos passos de proteção.

Conclusão

Para terminar, partilhe os dois incidentes com a turma, para que todos conheçam ambos os casos.

Peça voluntários para comentar cartões que considerem mais relevantes.

Perguntas possíveis:

“Que papel foi mais difícil de identificar?”
“Que ação poderia ter reduzido mais rapidamente o dano?”
“Que papel acham que aparece mais vezes nos grupos online?”
“Que tipo de apoio é mais seguro: público, privado ou com adulto? Depende de quê?”

Finalize reforçando:

“O ciberbullying cresce através da audiência, mas também pode ser travado através da ação responsável de quem vê, apoia, denuncia e pede ajuda.”

Nota de salvaguarda

Se um aluno partilhar algo que indique que pode estar em risco, que foi contactado, pressionado ou manipulado online, siga o procedimento de proteção e salvaguarda da escola e informe o responsável designado.

Avaliação

  • Observe se os alunos:
  • Participam nos debates e refletem sobre as perguntas do questionário;
  • Compreendem o ciberbullying como processo social;
  • Identificam corretamente os papéis envolvidos nos incidentes;
  • Reconhecem como capturas de ecrã, grupos de conversa e republicações podem aumentar o dano;
  • Propõem ações que poderiam melhorar a situação;
  • Demonstram empatia, pensamento crítico e compromisso ético.

Extensão ou diferenciação

Se houver mais tempo, pode:

  • Pedir aos alunos que pesquisem incidentes reais de ciberbullying e as suas consequências, analisando os papéis envolvidos.
  • Aumentar o tempo dedicado ao debate de cada pergunta do questionário;

Menos tempo?

Se houver menos tempo, pode:

  • Entregar o mesmo incidente a todos os grupos, simplificando a partilha das conclusões.
  • Reduzir o debate após cada pergunta do questionário;
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