Aula 2

SUMÁRIO DA AULA

Nesta aula, os alunos analisam um estudo de caso fictício relacionado com redes online nocivas.

A partir da história de Sara, a turma observa como uma situação pode atravessar vários espaços digitais, passando de comentários públicos para chats de jogo, servidores privados e mensagens cifradas.

Em grupos, os alunos organizam dez excertos de conversa numa linha temporal, identificam sinais de alerta e relacionam esses sinais com testemunhos de amigos, professores e família. A aula mostra que nenhum interveniente tem a imagem completa sozinho e que a proteção precoce depende da articulação responsável de sinais dispersos.

MATERIAIS

• Documento descarregável: Excertos de conversa;
• Documento descarregável: Testemunhos;
• Canetas;
• Papel;
• Tesouras;
• Marcador fluorescente;
• Quadro digital ou quadro colaborativo online, opcional.

LIGAÇÕES E MATERIAIS EXTERNOS

Quadro digital: https://classroomscreen.com

PREPARAÇÃO

• Preparar o material necessário para a atividade;
• Imprimir o documento descarregável com os excertos de conversa, uma cópia por grupo;
• Imprimir o documento descarregável com os testemunhos, uma cópia por grupo;
• Organizar os alunos em grupos de trabalho;
• Garantir que cada grupo tem tesoura, papel, caneta e marcador fluorescente.

PLANO DA AULA

1. Recordar que redes online nocivas podem atuar em vários espaços ao mesmo tempo;
2. Apresentar o estudo de caso fictício de Sara;
3. Distribuir os excertos de conversa;
4. Pedir aos alunos que recortem e ordenem os excertos numa linha temporal;
5. Validar a ordem correta;
6. Identificar quantas plataformas aparecem no caso;
7. Assinalar sinais de alerta nas conversas;
8. Distribuir os testemunhos de amigos, família e professores;
9. Relacionar os testemunhos com momentos da linha temporal;
10. Debater que nenhum interveniente tinha a imagem completa sozinho;
11. Concluir com princípios de proteção e pedido de ajuda.

Orientações complementares

A seguir partilhamos algumas orientações e sugestões de diálogo que pode ter com os alunos em cada etapa desta aula:

Introdução

Comece recordando a ideia central:

“Redes online nocivas podem atuar em vários espaços ao mesmo tempo. Uma situação pode começar num comentário público, passar para um jogo, depois para um servidor privado e, mais tarde, para uma aplicação de mensagens.”

Explique que a turma vai trabalhar um estudo de caso fictício de proteção e segurança. A personagem central chama-se Sara.

Diga:

“A brigada de segurança digital SMILE pediu-nos ajuda para compreender um caso fictício. A Sara começou a interagir online com algumas pessoas e, ao longo do tempo, essas interações tornaram-se mais secretas, isoladoras e arriscadas.”

Reforce que o objetivo não é julgar a Sara, nem investigar grupos reais, mas sim reconhecer sinais de alerta e perceber quando teria sido importante pedir apoio.

Primeira parte — Análise dos excertos de conversa

Distribua os excertos de conversa e peça aos grupos que os recortem.

Explique que os excertos incluem conversas da Sara com outras pessoas em diferentes plataformas e ambientes digitais.

O objetivo de cada grupo é:

  • Ler os excertos;
  • Colocá-los numa linha temporal lógica;
  • Identificar pistas que ligam uma conversa à seguinte;
  • Assinalar sinais de alerta.

Quando os grupos terminarem, valide a sequência correta através dos números no canto de cada conversa:

7 – 5 – 9 – 3 – 4 – 1 – 6 – 10 – 8 – 2

Depois, pergunte:

“Quantas aplicações ou sites aparecem nas conversas?”

A resposta é:

Quatro.

Use este momento para reforçar que redes online nocivas não funcionam apenas num espaço. Podem deslocar-se de uma aplicação ou site para outro, o que as torna mais difíceis de identificar ou acompanhar.

Sinais de alerta a assinalar

Nas conversas, os alunos podem encontrar:

  • Pressão para guardar segredos;
  • Incentivo ao afastamento dos amigos;
  • Mudanças súbitas na linguagem ou no tom;
  • Testes de lealdade;
  • Humilhação apresentada como humor;
  • Associação do estatuto no grupo a comportamentos de risco;
  • Medo de sair do grupo.

Plataformas fictícias do estudo de caso

• PixStream: rede social pública para vídeos curtos e comentários;
• GameLobby: chat público integrado num videojogo online;
• VortexRoom: plataforma de servidores e canais privados, com voz e texto;
• GhostMsg: aplicação de mensagens cifradas em que as mensagens se apagam automaticamente.

Segunda parte — Testemunhos das redes de apoio

Sem desmontar a linha temporal das conversas, introduza uma nova fonte de informação: testemunhos de colegas próximos da Sara, da família e de professores.

Distribua os testemunhos e peça aos grupos que os recortem.

Explique:

“Agora a tarefa é ligar os pontos entre as conversas digitais e aquilo que as pessoas à volta da Sara começaram a notar no mundo físico.”

Dê o exemplo indicado no ficheiro:

Nas conversas, percebe-se que a Sara foi convidada para a festa de aniversário de uma amiga, mas, por pressão do grupo online, decidiu não ir. Esta situação aparece referida no testemunho dos amigos.

Peça aos grupos que identifiquem outros cruzamentos entre:

  • O que acontece nas conversas;
  • O que os amigos observam;
  • O que os professores observam;
  • O que a família observa.

Depois, promova um debate:

“Nenhuma pessoa tinha a imagem completa da situação. O que é que cada grupo via?”
“Que sinais poderiam ter sido levados mais a sério?”
“Como é que amigos, família e escola poderiam ter juntado informação mais cedo?”
“Em que momento teria sido importante envolver apoio?”

Conclusão

Termine com uma chuva de ideias sobre o que amigos, professores, família e plataformas poderiam ter feito quando repararam nos sinais de alerta.

Reforce os quatro princípios indicados no ficheiro:

  • É importante reconhecer os sinais de alerta;
  • Não devemos investigar estes grupos sozinhos;
  • Não devemos criar nem partilhar conteúdos nocivos, nem incentivar o segredo;
  • Se sentirmos que estamos a entrar numa rede online nociva, ou se identificarmos sinais num colega, devemos falar rapidamente com um adulto de confiança, com o Diretor de Turma, com a equipa da escola responsável pela proteção dos alunos ou com uma linha de apoio adequada.

Explique ainda que, a nível técnico, perante conteúdos nocivos, assédio ou pressão digital, devem ser usados os mecanismos de denúncia e bloqueio disponibilizados pelas próprias plataformas. Em Portugal, quando necessário, o professor pode orientar os alunos para vias de apoio como a Linha Internet Segura — 800 21 90 90, sem incentivar investigação autónoma por parte dos jovens.

Avaliação

Observe se os alunos:

  • Participam nos debates ao longo da atividade;
  • Ordenam logicamente os excertos de conversa;
  • Identificam sinais de alerta nas conversas;
  • Relacionam os testemunhos com detalhes preocupantes presentes nos excertos;
  • Compreendem que uma situação de risco pode atravessar várias plataformas;
  • Reconhecem que nenhum interveniente tem sozinho a imagem completa;
  • Percebem a importância de envolver apoio cedo.

Também deve considerar se os alunos gostaram da atividade e se o tempo e os materiais disponibilizados foram adequados.

Extensão ou diferenciação

Se houver mais tempo disponível, o debate final pode ser prolongado, explorando com mais detalhe o que cada agente de apoio poderia ter feito em diferentes momentos da linha temporal.

Menos tempo?

Se houver menos tempo, revele a ordem de algumas conversas ou indique a sequência completa aos alunos, focando a atividade sobretudo na identificação de sinais de alerta e no cruzamento com os testemunhos.

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