Aula 1

1. Introdução

Olá! 👋

Hoje vamos falar sobre um tema sensível, mas muito importante: a nudificação.

Antes de começarmos, há algumas regras:

  • Não vamos falar de casos reais da turma;
  • Não vamos dizer nomes de pessoas, escolas, contas ou aplicações;
  • Ninguém é obrigado a partilhar experiências pessoais;
  • Se algum tema te deixar desconfortável, podes falar em privado com um adulto de confiança;
  • Pedir ajuda não te coloca em problemas.


2. O que é a nudificação?

A nudificação acontece quando alguém usa ferramentas digitais, muitas vezes com inteligência artificial, para criar ou alterar uma imagem de uma pessoa e representá-la de forma íntima ou sexualizada sem autorização.

Mesmo que a imagem seja falsa ou sintética, o dano pode ser real.

Porquê?

Porque usa o corpo, o rosto ou a identidade de alguém sem consentimento.

Não é uma brincadeira. É uma violação da privacidade e da dignidade da pessoa.

3. Que impacto pode ter?

Uma pessoa afetada por uma imagem deste tipo pode sentir:

  • Vergonha;
  • Medo;
  • Ansiedade;
  • Pânico;
  • Perda de controlo sobre a própria imagem;
  • Vontade de se isolar;
  • Dificuldade em ir à escola ou estar com colegas.

Também pode afetar a turma, os grupos de amigos e a escola, criando desconfiança, silêncio, gozo ou medo de que algo semelhante aconteça a outra pessoa.


4. Quem participa numa situação destas?

Numa situação de nudificação podem existir vários papéis:

Vítima: pessoa cuja imagem foi criada ou espalhada sem consentimento.

Amplificador: quem partilha, reenvia ou ajuda o conteúdo a circular.

Testemunha silenciosa: quem vê ou recebe, mas não age.

Defensor: quem apoia a vítima, denuncia ou ajuda a travar a partilha.

Questionador: quem diz que aquilo não é correto e tenta interromper a situação.

Adulto de confiança: quem pode ajudar a proteger, orientar e ativar os procedimentos necessários.

5. Questionário anónimo

Agora vais participar num questionário anónimo no Mentimeter.

O objetivo é perceber como a turma pensa sobre este tema, sem identificar ninguém.

As perguntas podem abordar:

  • O que uma pessoa sente quando descobre que uma imagem sua está a circular;
  • Porque é que pode haver medo mesmo quando a imagem é falsa;
  • O que acontece quando o conteúdo chega ao grupo da turma;
  • Porque é que algumas pessoas ficam em silêncio;
  • Que palavras de apoio podem ajudar;
  • Como a curiosidade pode aumentar o dano;
  • Porque é que a reputação e o bem-estar podem ser afetados.

Responder é opcional

6. Mural das fases de disseminação

Agora vamos ver como uma imagem pode espalhar-se.

Existem quatro fases:

Fase 1 — Pequeno grupo de amigos
A imagem é partilhada num grupo pequeno. O alcance ainda é limitado, mas a privacidade já foi violada.

Fase 2 — Grupo da turma
A imagem chega ao chat da turma. A pessoa afetada pode sentir que está a ser julgada por colegas que vê todos os dias.

Fase 3 — Contexto escolar próximo
O conteúdo chega a outros anos, amigos de amigos e pessoas conhecidas. O sofrimento pode passar do digital para os corredores, o recreio ou a sala de aula.

Fase 4 — Internet aberta
A imagem chega a redes abertas ou sites públicos. Torna-se muito difícil controlar onde está e quem a viu.

7. Mensagens de apoio e ações

Vais receber notas autocolantes de duas cores.

Uma cor será para escrever mensagens de encorajamento para a pessoa afetada.

A outra cor será para escrever ações práticas que possam travar a disseminação ou pedir ajuda.

Exemplos de mensagens de apoio:

  • “Não estás sozinho/a.”
  • “Isto não é culpa tua.”
  • “Vou ajudar-te a falar com um adulto.”
  • “Não vou partilhar nada.”

Exemplos de ações:

  • Não reenviar;
  • Apagar sem partilhar;
  • Denunciar a publicação;
  • Guardar apenas a evidência essencial;
  • Pedir ajuda a um adulto de confiança;
  • Apoiar a pessoa afetada;
  • Não transformar a situação em piada.

8. Conclusão

No final, vamos partilhar algumas ideias escritas nas notas autocolantes.

Frase para recordar:

Quando um conteúdo humilha ou invade a privacidade de alguém, não sou espectador: posso ser o travão.

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