Aula 1

SUMÁRIO DA AULA

Nesta aula, os alunos refletem sobre quem são os influenciadores, que tipos de perfis seguem e que peso podem ter as suas opiniões no que compramos, pensamos ou fazemos.

Depois, aprendem a distinguir informação errada de desinformação e analisam técnicas de persuasão como urgência artificial, gatilhos emocionais e validação social.

Através da rotina P.Q.E. — Pausar, Questionar, procurar Evidências, os alunos analisam publicações fictícias de influenciadores no Padlet. Finalmente, criam as suas próprias publicações, procurando torná-las apelativas sem usar truques enganadores, exageros ou falsa urgência.

MATERIAIS

• Tablets ou computadores;
• Padlet colaborativo;
• Quadro digital (opcional).

LIGAÇÕES E MATERIAIS EXTERNOS

• Ligação para clonar o Padlet: https://padlet.com/digicraftfve10/remake-link/8wOpvY8jK5AAX6AY
• Quadro digital: https://classroomscreen.com

PREPARAÇÃO

 Fazer o passo-a-passo para os alunos;
 Preparar os materiais necessários para a atividade;
• Clonar o Padlet para a conta do/a professor/a, para poder utilizá-lo com os alunos;
• Ter o Padlet colaborativo aberto em todos os dispositivos que os alunos vão utilizar;
• Organizar a turma em grupos de trabalho.

PLANO DA AULA

1. Introdução: quem são os influenciadores?;
2. Debate sobre popularidade, confiança e impacto nas decisões;
3. Explicação da diferença entre informação errada e desinformação;
4. Identificação de técnicas de persuasão usadas por influenciadores;
5. Apresentação da rotina P.Q.E. — Pausar, Questionar, Evidências;
6. Análise colaborativa de publicações fictícias no Padlet;
7. Criação de publicações pelos alunos: Competição de influenciadores honestos;
8. Votação crítica: publicação mais suspeita e publicação mais apreciada;
9. Conclusão sobre ecossistema digital, responsabilidade e regra “não amplificar”.

Orientações complementares

A seguir partilhamos algumas orientações e sugestões de diálogo que pode ter com os alunos em cada etapa desta aula:

Introdução

Comece a aula com uma pergunta aberta:

“Quem são, afinal, os influenciadores?”

A partir das respostas dos alunos, explore diferentes tipos de perfis:

  • Gamers;
  • Atletas;
  • Criadores de moda;
  • Criadores de ciência;
  • Criadores de humor;
  • Criadores de lifestyle;
  • Pessoas que ensinam truques, tutoriais ou conselhos.

Depois pergunte:

“O que faz de alguém um influenciador? É o número de seguidores? A forma como fala? A proximidade que transmite?”

Continue com uma pergunta central:

“Que peso acham que as opiniões destas pessoas têm no que compramos, pensamos ou fazemos?”

Recolha respostas e recorde as regras de participação e escuta respeitosa.

Explique que acreditar ou reagir rapidamente ao que um influenciador diz não significa ser ingénuo ou descuidado. As plataformas digitais são desenhadas para fazer com que certas vozes pareçam familiares, urgentes e confiáveis.

Primeira parte — Informação errada e desinformação

Explique que a motivação de um influenciador ao partilhar informação pode variar.
Pode dizer:

“Às vezes, um influenciador atua como investigador e verifica todos os detalhes antes de falar. Outras vezes, partilha algo falso por engano, porque parecia interessante ou porque não verificou. E, noutros casos, pode partilhar mentiras de propósito para ganhar dinheiro, ofertas, cliques ou atenção.”

Apresente as duas ideias principais:

Informação errada
É informação falsa ou enganadora partilhada por acidente, sem intenção de causar dano.

Exemplo de explicação:

“Alguém viu um boato, acreditou nele e partilhou-o sem confirmar.”


Desinformação
É informação falsa partilhada de propósito, com intenção de enganar, manipular ou obter vantagem.

Exemplo de explicação:

“Alguém sabe que uma informação é falsa, mas publica-a para ganhar dinheiro, seguidores ou cliques.”

Reforce:

“A intenção pode ser diferente, mas o resultado pode ser parecido: as pessoas ficam com uma visão distorcida da realidade e podem tomar decisões erradas.”

Segunda parte — Técnicas de persuasão

Depois de falar sobre as motivações, conduza a turma para a forma como os influenciadores captam atenção.

Pergunte:

“Já repararam que muitos vídeos ou publicações parecem feitos para não conseguirmos desviar o olhar?”

Apresente algumas técnicas:

Urgência artificial
Frases como:

“Vê isto antes que apaguem!”
“Só durante 24 horas!”
“Última oportunidade!”

Estas mensagens pressionam os utilizadores a agir depressa.

Gatilhos emocionais
Imagens com expressões exageradas, títulos em maiúsculas, música intensa ou suspense, medo e excitação.

Validação social
Mensagens como:

“Toda a gente está a experimentar este truque!”

Este tipo de frase pode fazer os alunos sentir que estão a perder algo importante se não participarem.

Explique a ideia principal:

“Quando um conteúdo nos obriga a agir depressa, perdemos parte da nossa capacidade de decidir.”


Terceira parte —Rotina P.Q.E.

Apresente a rotina de verificação:

P — Pausar

Antes de gostar, comentar ou partilhar, parar o impulso emocional.

Explique:

“Se uma publicação vos deixou muito nervosos, zangados ou entusiasmados, é sinal de que devem respirar e abrandar.”

Q — Questionar

Questionar quem publicou e com que intenção.

Perguntas úteis:

“Esta pessoa percebe mesmo do assunto?”
“O que pretende ao partilhar isto?”
“Quer informar-me ou apenas levar-me a clicar?”
“Há algum interesse escondido, como publicidade ou parceria paga?”
“Está a usar medo, urgência ou pressão?”

E — Evidências

Procurar provas noutros locais de confiança.

Perguntas úteis:

“Esta notícia aparece em sites fiáveis?”
“Há factos que confirmem o que está a ser dito?”
“É uma informação verificável ou apenas opinião e exagero?”

Conclua:

“A importância de uma mensagem não é definida pelo número de seguidores de quem a publica, mas pela qualidade das evidências que apresenta.”

Quarta parte — Análise das publicações de influenciadores

Organize a turma em grupos e atribua um computador ou tablet a cada grupo.

Peça aos alunos que acedam ao Padlet previamente aberto.

Explique que vão encontrar publicações fictícias de influenciadores e que devem analisá-las com base na rotina P.Q.E.

No Padlet, os alunos devem comentar as publicações usando os seguintes critérios:

Pausar: como a mensagem vos faz sentir
Que sensação provocou a publicação?
Esse sentimento fazia sentido ou o conteúdo real não correspondia à sensação criada?

Questionar a fonte e o conhecimento sobre o tema
Este influenciador percebe mesmo do assunto ou é apenas alguém de quem gostamos?
Há pistas no perfil ou na publicação?

Questionar a intenção da mensagem
Existe algum interesse escondido?
Há etiquetas como “Anúncio” ou “Parceria paga”?

Questionar o uso de técnicas persuasivas
A publicação tenta deixar-nos nervosos ou levar-nos a agir à pressa?
Usa urgência, medo, entusiasmo exagerado ou validação social?

Evidências e afirmação principal
O que é que a publicação afirma como verdadeiro?
Que provas apresenta?
O que é facto, opinião ou exagero?

Explique como comentar:

“Escrevam na zona de comentários por baixo da publicação, onde aparece ‘Adicionar comentário’, e carreguem em Enter ou na seta roxa para publicar.”

Dê tempo para analisarem. Não é necessário que todas as publicações sejam analisadas por todos os grupos, nem que todos os critérios sejam aplicados a todas as publicações.

Depois, escolha alguns comentários interessantes e peça aos alunos que expliquem o seu raciocínio.

Quinta parte — Competição de influenciadores honestos

Explique:

“Agora vão transformar-se em influenciadores.”

Cada grupo deve criar uma publicação no mesmo Padlet, com estrutura semelhante às publicações analisadas.

A condição principal é:

O conteúdo tem de ser verdadeiro e não inventado.

Explique que o objetivo é conseguir uma publicação apelativa, mas sem recorrer a:

  • Exageros;
  • Falsa urgência;
  • Medo;
  • Desconforto;
  • Informação não verificada;
  • Pressão emocional;
  • Promessas sem evidências.

Os grupos devem usar um motor de pesquisa, como Google, Ecosia ou DuckDuckGo, procurar informação em fontes fiáveis e comparar pelo menos duas fontes antes de escrever.

Também podem escolher uma imagem apelativa, desde que combine com o conteúdo e não engane quem a vê.

Como criar a publicação no Padlet

  1. Clicar no botão + Publicação.
  2. No campo Assunto, escrever o título.
  3. Anexar uma imagem a partir do dispositivo ou usando a pesquisa do próprio Padlet.
  4. Escrever o conteúdo no campo Escreve algo incrível.
  5. Clicar em Publicar.

Quando todos terminarem, dê alguns minutos para a turma ler as publicações.

Depois, organize duas votações:

  1. Publicação que causa mais desconfiança
    A publicação escolhida fica fora da competição final. Peça aos alunos que expliquem que critérios usaram para desconfiar.
  2. Publicação de que mais gostaram
    A turma vota na publicação mais apreciada, excluindo a publicação que venceu a ronda da desconfiança.

Em caso de empate, nenhuma publicação é desclassificada, ou as publicações empatadas são todas consideradas vencedoras.

Conclusão

Termine com uma reflexão sobre o ecossistema digital.

Explique que encontrar notícias falsas, exageradas ou manipuladoras não é apenas responsabilidade individual. O ecossistema digital funciona como uma máquina com várias peças:

Plataformas
São desenhadas para recompensar interações rápidas. Quanto mais emocional ou chocante for uma publicação, maior pode ser a probabilidade de ser mostrada a outras pessoas.

Influenciadores
Também podem sentir-se pressionados a publicar conteúdos mais dramáticos, urgentes ou emocionais para não desaparecerem.

Consumidores
Quando gostamos ou partilhamos conteúdos emocionais ou urgentes sem pensar, enviamos um sinal à plataforma: “Queremos ver mais disto.”

Reforce:

“Isto não significa que o mundo esteja cheio de pessoas a tentar enganar-nos. Significa que estamos num ambiente que, muitas vezes, dá mais valor às emoções fortes do que à verdade.”

Explique também que informação errada e desinformação podem afetar o bem-estar:

“Estar constantemente exposto a urgência, medo ou comparações com vidas perfeitas pode gerar stress, cansaço ou a sensação de que o mundo é mais perigoso ou confuso do que realmente é.”

Termine com a regra:

Se não tens a certeza de que é verdade, não amplifiques: não gostes, não partilhes e não comentes.

Avaliação
Observe se os alunos:

• Participam nos debates sobre influenciadores e técnicas de captação de atenção;
• Distinguem informação errada de desinformação;
• Identificam sinais de urgência, emoção exagerada, intenção comercial, falta de evidências ou possíveis riscos;
• Usam o protocolo P.Q.E. com apoio do/a professor/a;
• Criam uma publicação apelativa sem recorrer a exageros, falsa urgência ou informação não verificada;
• Compreendem a importância de não amplificar conteúdos duvidosos;
• Sabem que devem pedir ajuda a um adulto de confiança quando uma publicação envolve saúde, dinheiro, segurança ou preocupação.

Extensão ou diferenciação

Se houver mais tempo, o/a professor/a pode escolher em segredo dois grupos e pedir-lhes que criem uma notícia falsa claramente fictícia e adequada à idade.

Antes de todos lerem as publicações, avise a turma de que existem duas notícias falsas “infiltradas” no quadro. Depois, os grupos aplicam o protocolo P.Q.E. para tentar descobrir quais são.

Esta opção deve ser usada com cuidado: as notícias falsas devem ser claramente fictícias e não devem envolver saúde, segurança pessoal, conflitos reais, grupos sociais ou temas que possam causar medo.

Menos tempo?

Se houver menos tempo, cada grupo pode receber apenas uma publicação específica para analisar, em vez de todos analisarem livremente todas as publicações do Padlet.

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